16 setembro 2006

Burn this city

Ainda tem poucas horas que o Franz Ferdinand passou pelo Rio novamente cantando que a cidade está fora de controle.
Pois parece que fora de controle anda o mundo da moda.
A London Fashion Week bem que tentou posar de superior e não ceder à pressão madrilenha por modelos menos esqueléticas nas passarelas, mas não está sendo tão fácil.
Segundo a Reuters, o Conselho Britânico de Moda (BFC, na sigla em inglês) adiou sua seleção de modelos por causa da pressão externa.
Esta semana a Pasarela Cibeles - principal evento de moda de Madri - anunciou um boicote às modelos que tivessem IMC (índice de massa corporal) abaixo de 18.
A prefeita de Milão aplaudiu e já disse que pretende fazer o mesmo.
Os londrinos anunciaram que seguiriam o modelo de sempre. Aí surgiu uma pressão externa e a organização do evento chegou a um impasse. Continuar como sempre ou ceder aos apelos e acabar abrindo mão de grandes estrelas?
Na dúvida, a seleção de elenco foi adiada e ainda não há pistas de qual caminho os fashionistas ingleses devem seguir.
Mas pelo menos uma personalidade local já se pronunciou oficialmente. 'Mãe' do bruxinho Harry Potter, a escritora J. K. Rowling é favorável ao embargo das magrelas. Ela não que que suas filhas fiquem obcecadas com o corpo.
Está certo ou não está?

Eu quero!


Não tenho a menor pretensão de ir a Nova York a passeio. Tenho medo de juntar dinheiro por meses, pagar visto, passagem e acabar barrada de entrar nos Estados Unidos porque alguém da imigração achou que eu pareço uma ameaça ambulante.
Mas depois de ver só um pouco do que desfilou na Olympus Fashion Week estou começando a repensar a decisão.
Porque ou eu aprendo a costurar e o orixá da criatividade baixa em mim para dar uma força, ou eu enlouqueço.
Descobri hoje a Milly, uma jovem marca local que fez uma coleção verão 2007 que me deixou babando apesar de não ser exatamente original.
Afinal de contas, não é de hoje que a temporada mais quente do ano se apropria dos comprimentos curtíssimos dos anos 60 e dos tecidos vazados dos anos 70. Isso sem falar da estamparia.
Em comprimentos um poucos mais longos, eu poderia ter tudo no armário. Mas como não vou a Nova York tão cedo - a não ser que role uma viagem a trabalho - acho que vou continuar na vontade.
Vai no link e vê se você não fica querendo também...

Vestindo o cardápio

Uma amiga sempre teve uma cartela de cores muito particular. Conhecia o cereja bem antes das lojas de biquínis e é bem provável que se tenha antecipado à criação do off white também.
Mas acho que até para ela a Semana de Moda de Nova York exagerou na aquarela.
Cor com nome de cor anda difícil de se ver nas passarelas.
Só dá morango, chocolate, baunilha, avelã, gengibre, pêra. Até soja tem.
Claro que no mundinho fashion nada disso é frescura, só mais uma estratégia para deixar a consumidora ainda mais ávida por comprar.
E não sou eu - pobrecita - que estou dizendo.
"Você pode ter a mesma cor com dois nomes diferentes. Pode dizer bege ou creme café, e no segundo caso a cor se torna deliciosa e evocativa", disse Leatrice Eisman, diretora do Pantone Color Institute, à Reuters.
A Pantone é uma empresa que, depois de pesquisa com os estilistas, elabora a cartela de cores da temporada seguinte de moda.
Segundo a nova tendência, nada é o que parece. Um vermelho pode ser tomate, morango, talvez framboesa, mas jamais vermelho.
Claro que isso se estende a outras cores e a gente anda vestindo berinjela há um tempo suficiente para saber que é só questão de (pouco) tempo para que a tendência pegue aqui também.

13 setembro 2006

Olé!

Tirando Balenciaga, que outro grande nome tem a moda espanhola (não vale Zara, que é multimarcas)? Pepe Mourin, talvez.
E talvez seja pela presença tímida nesse universo que a Semana de Moda de Madrid - a Pasarela Cibeles - provocou um reboliço quando avisou que não serão permitidas modelos abaixo do peso nas passarelas.
É isso aí, na contramão da tendência mulher-cabide, o evento barrou todas as modelos com IMC (índice de massa corporal) menor que 18.
Deve ter tido produtor de desfile arrancando os cabelos e estilista desesperado com as 'gordas' que vão vestir suas roupas. Informações de bastidores dão conta de que a supermodelo Kate Moss pode ficar de fora da festa por causa da nova determinação.
Nas agências de modelos americanas já tem agente dizendo que é puro preconceito. Mas será mesmo que custa tanto dar um bom exemplo?
Representantes do governo espanhol dizem que querem apenas sugerir um modelo mais saudável para as mulheres copiarem, já que a moda é um espelho. Os produtores da Pasarela Cibeles são oficialmente favoráveis à decisão.
A prefeita de Milão gostou da idéia e já disse à imprensa italiana que pode repetir o veto quando sua semana de moda chegar.
Já na London Fashion Week a tendência não deve pegar.
Se o Real Madrid não anda muito bem das pernas - tentando se recuperar no atual Campeonato Espanhol, é verdade -, os fashionistas madrilenhos marcaram um golaço.