03 junho 2007

American 'Fashion' Inventor

A marca de calçados esportivos Reef acaba de lançar nos Estados Unidos dois modelos de verão. O Stash traz uma 'gavetinha' escondida na sola onde se podem guardar chaves e cartão de crédito, perfeito para os homens irem à praia. Já Dram tem uma espécie de cantil, também sob a sola, onde se pode guardar uma boa dose de bebida. Depois um funil que vem com o chinelo ajuda a passar o líquido para um recipiente, hã, mais indicado para o consumo. Ainda assim é meio nojento, não?


Já que o assunto é invenção, aqui vai uma prática: escarpins com saltos dobráveis. Cansado de ver mulheres trocando seus sapatinhos flat por poderosos saltos altos na entrada do escritório, David Hendel resolveu buscar uma solução. A inspiração para a idéia são os transformers, aqueles carrinhos que viram robô (ou o contrário). O modelo com salto de quase 9 centímetros que diminui a menos da metade já está à venda por 280 dólares. Quem testou aponta dois poréns: o fato de um único design não possibilitar muita versatilidade e a sensação de que o salto dobrado pode se abrir a qualquer momento.

A valiosa Hepburn


Depois do vestido preto de Givenchy leiloado por mais de 926 mil dólares em dezembro, a elegância da Holly Golightly de "Bonequinha de Luxo" dá outra prova de que vale muito. Nesta semana a casa de leilões Christie's bateu o martelo por 192 mil dólares num vestidinho rosa usado por Audrey Hepburn no filme. O modelo, que não é grifado, aparece na cena em que Holly descobre a morte de seu irmão. A peça, que você na foto aqui do lado, estava avaliada em 30 mil dólares.

23 maio 2007

O horror! O horror!

O que aconteceu com aqueles enormes - e chiquérrimos - óculos escuros setentistas que as celebridades usavam no verão passado?
Alguém me explica (por favor) por que Jude Law, Kirsten Dunst e Lindsay Lohan têm desfilado por aí usando esse Ray Ban horroroso que conseguiu sobreviver ao furacão que deveria ter acabado com nossas memórias dos anos 80?
Pior do que isso é saber que pessoas assim têm o poder de lançar tendências e daqui a pouco todo mundo vai estar achando lindo esse pavor.
Como aqui no Brasil, onde de repente passou a ser bacana sair à noite de legging e usar bota tipo Peter Pan.
Ai, que medo!


Alvo da moda

Superpoderosa
editora da superpoderosa Vogue América, Anna Wintour consegue o que ninguém consegue. Não é que recentemente descobriram um psicopata com um plano para matar a criatura?
Fã de Andrew Cunanan, o assassino do estilista Gianni Versace, Peter Braunstein (que já foi crítico de moda Women’s Wear Daily), cansou de não ser atendido pela editora-diva e achou que era hora de tomar uma atitude.
“Ela vai ser acompanhada por eunucos para um lugar no inferno governado por ratos”, escreveu ele, num manifesto encontrado pela polícia americana. E ainda diz que lá ela vai ter que abrir mão de sua marca registrada – os casacos de pele – para usar só “roupas tropicais”.
Agora confessa que se não fosse sério você estaria às gargalhadas.

09 maio 2007

Faixa dupla, você ainda vai usar uma

Eu não estou falando isso só porque vi Sandra Bullock desfilando assim numa noite de festa, mas está vendendo um bocado na primavera européia e, sinal maior, os chineses já estão invadindo o mercado (de lá) com aqueles modelos que a gente vai comprar (aqui) nos comércios populares. E vocês sabem, quando começa a produção em massa...


RIP, Isabella Blow

Este blog faz um minuto de silêncio pela morte de Isabella Blow, uma das figuras mais irreverentes da moda internacional. Editora de moda da revista inglesa Tatler, ex-assistente de Anna Wintour, mas conhecida mesmo pelos figurinos pra lá de excêntricos que exibia por aí. Pretinho básico, definitivamente, não era com ela e a gente tem uma boa pista de seu estilo quando destaca dois estilistas 'descobertos' por ela: os não menos irreverentes Alexander McQueen e John Galliano.
Nos últimos tempos, dizem alguns, Blow tinha passado por sucessivas tentativas de suicídio. Uma delas ganhou até ares folclóricos. Foi em 2005, quando a fashionista pulou de uma ponte em Londres. Depois de quebrar os pés, ela ficou impossibilitada de usar seus 280 pares de sapatos de salto alto, então recebeu uma enxurrada de sapatos sem saltos de designers como Manolo Blahnik (aquele que as moças de "Sex and the City" adoravam) e Christian Laboutin.
Blow morreu na última segunda-feira, aos 48 anos, de causas não divulgadas.

07 maio 2007

Enfim, de volta

Depois de um longo período de hibernação, este blog volta à atividade vindo de um giro internacional (ai que besta) para acompanhar as tendências e constatar, com grande tristeza, que é impossível manter a classe no clima do Rio de Janeiro (e da maior parte do país). Felizmente maio está aí e - Insha'Allah! - vai fazer as temperaturas caírem aos 20° C à noite para a gente tirar os casacos do armário. Menos que isso, é difícil acontecer.

Já na Espanha e na França, como a primavera não se impõe, ainda se usam casacos dos mais pesados, meias-calças e botas. E que botas, todas cobrindo as pernas dos jeans skinny que as espanholas exibem com a elegância de quem não tem curvas brasileiras.

A boa notícia para quem estava esperando uma tendência que lhe coubesse é que as calças justinhas vão ser em breve aposentadas para o retorno (u-hu!) dos modelos de pernas largonas, tipo pata-de-elefante.Mas isso é assunto para outro post.

Por hora, segue um top 5 do que se vai usar no Hemisfério Norte nesta temporada que esta só começando:

1) Microvestidos em linha A. De preferência com gola arredondada e bolsinhos, completamente anos 60

2) Maxióculos (olha os anos 60 aí de novo!)

3) Bolas, muitas bolas. Dos pontinhos às bolotas elas tomaram de assalto as sapatilhas que dominaram as prateleiras das sapatarias

4) Malhas ultracoloridas, dignas dos anos 80 (ai, que medo)

5) Creme redutor de medidas. Roc e Vichy lançaram os seus recentemente e a publicidade está ostensiva (e tentadora)


A vingança dos nerds


Parafraseando o hábito americano de dividir as pessoas em dog person ou cat person de acordo com a afinidade com os bichos, vou criar duas novas categorias: lens person e glasses person.

É na segunda em que me encontro, apesar de ter aderido às lentes de contato recentemente (sabe como é, os óculos escuros não têm grau...). Como boa pessoa-óculos, não contive a animação quando vi que no próximo outono todo mundo deve colocar seus óculos para fora sem medo.

Miu Miu, Hermès e até a supersexy La Perla são algumas das grifes que sugerem as lentes (não de contato) como acessório de estilo. E é para usar sem pudor, até em modelos que nos tempos de escola renderiam os piores apelidos. Dá uma conferida nas fotos (a partir da esquerda, Hermès, La Perla, Tommy Hilfiger, Lacoste e Miu Miu).

Para acabar

Viram que a última moda é preto e vermelho? (só pra descontrair...)

18 janeiro 2007

Só um P.S.

O Fashion Rio vem num balanço ao fim do evento, tá? Não esqueci não...

Luxúria fina


Depois dessa ninguém pode negar que a inveja corre solta nos bastidores do mundinho. A revista W deste mês traz um ensaio ousadíssimo de Stefano Gabbana (de sunga e salto agulha na foto) e Domenico Dolce em suas páginas. São 20 fotos dos meninos mais ou menos vestidos cercados por modelos menos vestidos ainda.
Algumas da fotos você confere aqui e pode ir fundo porque elas estão um arraso - não seria diferente com Dolce & Gabbana, né?
Mas a graça disso tudo está na história por trás das fotos. Segundo a respeitada (se isso é possível) coluna de fofocas Page Six, do New York Post, os estilistas fizeram beicinho e bateram pezinho quando viram Tom Ford num 'luxurioso' ensaio na mesma revista em novembro de 2005.
"Eles ficaram furiosos e desde então vêm pressionado a W para fazer algo parecido", conta uma fonte de dentro da revista. Editor da publicação, Patrick McCarthy despista: "Há mais de dois anos falamos com Dolce & Gabbana para fazer algo assim".

Deu branco

A maior graça de uma noite de premiação é o tapete vermelho. Você pode até querer saber se tal ator vai levar mesmo o merecido troféu, se determinado filme vai confirmar o favoritismo e tudo mais, mas nada é tão interessante quanto a chegada das celebridades. E, claro, a 'culpa' é toda dos vestidos.
Por isso eu fiquei chocada este ano quando constatei que em pleno inverno americano as estrelas investiram pesado no branco para a entrega do Globo de Ouro. Eram tantas que deve ter tido marido abordando a mulher errada depois de algumas taças de Moët Chandon.
Decotes profundos, saias abertas, modelos justos, outros ousados, tinha branco para todos os lados (sim, são todos brancos nestas fotos, apesar das variações de luz). Fosse no Brasil alguém podia achar que foi parar por engano num Réveillon fora de época.
E ainda tem gente que não acredita em inconsciente coletivo.
(Nas fotos do alto você vê: Keisha Whitaker, Heidi Klum, Salma Hayek, Ellen Pompeo, Drew Barrymore e Annette Benning. Nas de baixo estão: Nicollette Sheridan, Kate Winslet, Jennifer Garner, Ali Larter, Rinko Kikuchi e Cameron Diaz)

04 janeiro 2007

Tão ano passado...

Eu sei que perdi o bonde dos desejos de Ano Novo. Mas é que eu quero tanto que isso se realize, mas tanto, que peço desculpas mas esse pedido vai mesmo tarde.
Que em 2007 a praga da viscolycra tenha sido dizimada das lojas femininas.
Foi difícil fugir dela nas roupas de Natal e Réveillon.
Pronto, desabafei!

Moda e tecnologia

Um amigo achou esse site. Mistura moda e tecnologia. Adoro a primeira e só não posso dizer que detesto a segunda porque, bom, isso seria meio incoerente para quem tem um blog e trabalha num site, né?

Mas é que esse negócio de tecnologia às vezes me cansa. A moda não, alguns criadores de moda, sim. Ou seriam inventores?

Vixe, ficou confuso demais esse negócio. Deixa eu explicar.

Tem lá o site que meu amigo achou, o tal sobre moda e tecnologia. Aí na primeira vez que acessei, o destaque era uma echarpe feita em tecido com memória. Afetiva.

Nada a ver com aqueles panos que amassam e não voltam para o lugar que muito estilista adora dizer que é tecido com memória.

A tal echarpe tem uns sensores através dos quais você escolhe o tipo de carinho que quer receber. São três opções e a que ficou na minha cabeça foi a do tapinha nas costas.

Diz se não é o cúmulo da carência precisar de uma echarpe que te dê um tapinha nas costas? Senta num balcão de bar e paga uma bebida para a criatura do seu lado que você pode conseguir até mais que isso, ora bolas.

Antes de escrever este post, novo acesso ao site. Desta vez o destaque é uma nova criação dos alunos da escola de design inglesa Goldsmith College.

Eles inventaram uma bota que traz na parte interna do cano um desenho. Você usa a bota e, quando tira, está lá a imagem estampada como tatuagem temporária na perna.

Cada par vem com vários desenhos e cada um simboliza algo diferente. A borboleta siginifica amadurecimento; a pomba, um recomeço; e a cereja, a perda da virgindade. Mas serve também como um sinal de que se está aberto ao sexo. Senão, imagina, a estampa da frutinha ia encalhar na loja, né?

02 dezembro 2006

Surpreendente África

Penso muito na contradição que há no consumo de luxo em um país como o Brasil, então você há de imaginar o choque quando me deparei esta semana com uma história no Los Angeles Times sobre um congolês que vive com os pais, não paga pensão para o filho e torra todo dinheiro que ganha em roupas de grife.
Grife mesmo: Dolce & Gabbana, Gucci, Versace. Só peças que lhe custam mais de um mês de salário. E deve fazer isso há bastante tempo porque já conseguiu reunir o suficiente para nunca repetir uma roupa no período de 30 dias.
Papy Mosengo, o congolês, chama atenção por onde passa. Mora num barraco numa região que sofre com o crime, ganha 120 dólares por mês e revolta os amigos ao gastar 400 dólares, em média, em compras. "Dava para construir uma casa com esse dinheiro", diz seu fornecedor.
Mosengo não está nem aí e justifica suas atitudes com uma frase que me fez pensar: "Eu me sinto especial assim".
Afinal, não é isso que a gente quer, se sentir especial? Ouvir um elogio, causar uma boa impressão, marcar presença? A atitude de Mosengo soa como afronta, mas não é muito diferente da de muitos que se comprometem mais do que deveriam para impressionar com a embalagem, em vez do conteúdo.

22 novembro 2006

Coletes, casacos e liquidações

Não tem muito tempo vi num site gringo que os coletes estão voltando com tudo. Claro, para provar sua tese a página mostrava váááárias celebridades (de estirpe, nada no nível de Paris Hilton) investindo no modelito. Aí na segunda-feira vi "Os Infiltrados" a psicóloga da polícia me aparece de colete e eu fiquei pensando sobre ele. Pensei, pensei e cheguei à conclusão de que colete não dá. Tem coisa mais yuppie anos 80/90 do que colete? Mais curtinho, mais compridinho, aberto, fechado, acinturado, com terninho, com jeans. Não tem jeito: colete me remete à terrível lembrança de Diane Keaton em "Presente de Grego". Sabe qual é? Aquele filme em que ela é uma superexecutiva atarefada que recebe de herança um bebê? Então. O filme é triste. O figurino, pior ainda.

Aqui o verão ainda está só se insinuando (eu só acredito nele depois de encarar uma semana inteirinha de sol inclemente e calor idem com, no máximo, aqueles temporais no fim do dia). Mas nos EUA o inverno tá pertinho. O suficiente para terem começado as liquidações de verão e as revistas e jornais começarem a sugerir suas tendências para a estação fria. Então eu não resisti ao especial do New York Post que traz até sugestão de luvas. Nem todos são lindos, mas eu ando numa boa vontade tão grande com sobretudos e afins que fiquei babando e (de novo) sonhando em ser a assistente de Miranda Priestley em "O Diabo Veste Prada". Desculpem a obsessão.

Ah, e já que falei em liquidação, peço licença para uma confissão: morro de inveja dos saldões de terras estrangeiras. Se em Paris, onde cobram em euros, eles já são tentadores, imagine em Nova York. Só para você ter uma idéia e compartilhar desse sentimento feio que se apossou do meu coraçãozinho, tem casaco Dior por US$ 55; sapatos Miu Miu por R$ 40; suéter comprido Chloe por US$ 70, e até vestido de festa Valentino por US$ 650. Não que eu me interesse por Valentino ou tenha tanto para investir em tão 'pouco', mas as peças custavam US$ 5 mil. Calculou o desconto?

10 novembro 2006

Tanta coisa para dizer...

...tão pouco tempo para escrever.
Sei que estou devendo e vou tentar me redimir em pílulas porque alguns assuntos já nem estão mais no spotlight mas eu quero falar sobre eles mesmo assim. Subtítulos vão guiando quem quiser poupar tempo pulando assunto velho (eu entendo).

Roupa repetida

Uma das notícias mais badaladas hoje no site Ego era a estranha coincidência de roupa entre Juliana Paes, Carolina Dickmann, Cléo Pires e Ingrid Guimarães. As quatro foram flagradas em eventos recentes vestindo a mesma roupa (olha a foto aí). Ou uma variação dela: um macaquinho (ou vestido) da Maria Bonita fofíssimo de estampa xadrez rosa.
Excelente escolha de todas (ou de seus stylists, vai saber), mas não é possível que elas não tenham ficado incomodadas de descobrir que agora em todo lugar que forem correm o risco de encontrar uma coleguinha com a roupa igualzinha.
E aí também fiquei imaginando se é tão difícil assim uma grife como a Maria Bonita ter algum tipo de controle sobre as peças que consomem suas clientes famosas. Ele já fazem isso com pessoas comuns que compram roupas para ocasiões especiais...
Mas, sei lá, pelo menos informar que 60% do Projac já comprou a mesma peça poderia ser útil, não? Aí, se a moça insistir, bem, cada um com seus problemas. Até porque, para mim, a marca só perde com isso.
Eu, na situação delas, enfiava o macaquinho (ou vestido) no armário e não usava nem para visitar meus pais no interior. Vai que alguém lá resolveu desembolsar R$ 500 nele também...

Lembrança de viagem

Tem gente que traz chaveiro, tem gente que traz cinzeiro, ímã de geladeira, porta-copos, boné, camiserta. Num dos meus grupos de amigas é proibido (olha o exagero!) trazer quinquilharia. Por um acaso do destino muitas estão acumulando milhas em viagens incríveis e trazendo presentes mais incríveis ainda. E eu não vou listar aqui para não estimular a cobiça alheia.
Mas eu preciso dividir a melhor lembrança de viagem que já ganhei na vida: a edição especial primavera-verão da Elle italiana.
A amiga disse que comprou para ela, mas achou que eu ia aproveitar mais. Sério, quase chorei de emoção. Por ela ter pensado em mim e no quanto eu gosto desse negócio, pelo discursinho que ela fez antes de me dar o presente e porque eu estou babando em 800 páginas de editoriais e anúncios que, ai ai... (e, não me levem a mal, mas até para anunciar os franceses dão um banho)
Prometo olhar tudo com cuidado, deixar a emoção de lado e fazer um balanção das tendências aqui. Em breve (mesmo).

O Diabo Veste Prada

Tá bem, tá bom, esse assunto tá quase vintage de tão velho. Mas é que eu tomei um superpuxão de orelha por ter ignorado o pedido da minha única leitora desconhecida (porque, pelo menos por enquanto, isso é um blog entre amigos, eu sei). Então aí vão algumas considerações sobre o filme.
A maquiagem é absurdamente maniqueísta. As bitchs Emily e Miranda em seus piores momentos parecem ter saídas de um filme de Harry Potter. E chega a ser ofensiva a forma como o look de Miranda vai suavizando conforme ela vai se deixando encantar por Andy.
Isso sem falar no disparate que são os amigos de Andy. O namorado quer ser chef de cozinha, a melhor amiga é aspirante a fotógrafa de arte e os dois tacam pedra o quanto podem na pobre da Andy como se ela fosse uma Geni.
Como eles não soubessem a ralação que é chegar a algum lugar num mercado de trabalho glamouroso sem se ter contatos quentes.

19 outubro 2006

True Colors

Tem gente que gosta de escritores, tem gente que gosta de pintores, tem gente que gosta de diretores. Eu gosto de criadores (de moda). E Coco Chanel é a melhor deles. Porque se a mulher se libertou dos corselets, é a ela que se deve agradecer. Se existe uma moda que permite estar bonita, elegante e viver, a culpa é toda dela. E se há um corte de cabelo clássico que funciona em qualquer época, bom, nesse caso, o responsável foi o fulano que deu um pé na bunda dela.
O fato é que estava aqui fazendo uma pesquisinha para minha exposé de sábado no francês quando achei a seguinte frase creditada a Chanel: "A roupa deve ser, antes de tudo, cômoda e prática. É a roupa que deve adaptar-se ao corpo e não o corpo que deve deformar-se para adaptar-se à roupa".
Confesso que não confio plenamente que a frase seja dela (ainda mais tendo encontrado na internet), mas o argumento é coerente com as idéias que ela costurou.
E foi engraçado ter lido isso no mesmo dia em que achei um vídeo no Youtube do comercial americano de uma marca mundial de cosméticos que anda fazendo campanha pela real beleza.
Nele, a gente acompanha todas as transformações por que passa uma modelo no trajeto entre o estúdio e um outdoor. Não chega a ser surpreendente, mas tranqüiliza um bocado ter certeza absoluta de que NENHUMA mulher no mundo tem o cabelo desembaraçado, brilhoso e esvoaçante naturalmente.
Como na internet uma coisa leva à outra, encontrei um outro comercial da mesma empresa. Dessa vez eram várias menininhas, lindinhas. Quando aparecia a japonesinha lia-se a frase 'queria ser loura'; ao lado da ruiva, 'odeia suas sardas'; se a menina usava óculos, 'se acha feia'. E por aí vai... Como trilha, "True Colors", da Cindy Lauper.
Achei fofo. E lembrei de todas as vezes na escola em que a gente fica querendo 'trocar' de cabelo, de olho, de altura, de peito, de qualquer coisa que pareça mais bonito amiga que na gente.
Então, sei lá porque, quando vi esta noite na TV o desfile da Raya de Goeye no São Paulo Fashion Week, repensei tudo isso.
As meninas da marca são ótimas criadoras, a coleção estava linda como todas as que já vi. Elas adoram volumes, comprimentos curtos, decotes e tecidos fluidos e fazem tudo funcionar. Mas sempre que vejo suas roupas, fico com a impressão de que elas só pensam nas magras.
Está certo que cada um veste quem quer, mas aí não faz muito sentido as semanas de moda tentarem abolir as anoréxicas, né?
Ah, o link para o vídeo de True Colors está lá no título do post. Já o da transformação da modelo, eu coloquei aqui.

10 outubro 2006

Gente fina


Um amigo vai lançar um livro e, segundo a namorada dele, está que não se agüenta de ansiedade. Eu também estaria. Afinal é preciso ter coragem para se exibir para os outros de maneira tão intensa. E não estou falando do exibir do narcisista, mas do exibir de quem quer compartilhar.
E nem estou achando que eu, pobre jornalista, tenho essa coragem. Eu não crio realidades paralelas, personagens, situações. Eu escrevo sobre o que está aí fora.
Já esse amigo não. Escreve sobre o que está lá dentro. E, dizem, faz isso muito bem.
Só vou poder opinar depois da noite de amanhã, quando ele lança o livro. Mas já tenho uma profunda simpatia pela idéia. Não só porque é meu amigo. Mas porque tem 20 e poucos anos e ficou com o sonho guardado na gaveta esperando a hora de ganhar o mundo.
Talvez tenha esperado mais do que gostaria, mais do que merecia. Mas fez isso sozinho e merece um abraço apertado só por causa disso.
Ronaldo Pelli, o meu amigo, não é de nenhuma dessas galeras que legisla e distribui a cultura em causa própria no Rio de Janeiro.
Acho que vou adorar esse livro.

A Primeira Pessoa
Ronaldo Pelli
Dia 10 de outubro, às 20h30
Mistura Carioca
Rua Gomes Freire 791, Lapa

Algum tempo depois...


Jean Paul Gaultier fez 30 anos de moda e celebrou na Semana de Moda de Paris, com o lançamento de uma coleção primavera-verão que provou mais uma vez porque, ao lado de Vivienne Westwood, sempre foi considerado um enfant terrible.
Gaultier é da geração do punk e não nega. Couros, tachas, plastificados e moicanos estavam lá. Na lembrança de suas criações mais marcantes também está o jogo de opostos: oversize e silhuetas ajustadas; preto e branco; esportivo e social.
Mas para a próxima temporada foram os longos em referências inusitadas que se destacaram na passarela. Jeans, camuflado e o inconfundível estilo marinheiro.
Tudo isso para dizer que esta semana finalmente eu entendi porque os primeiros frascos de perfume de Gaultier eram listrados.
Porque o estilista desde a infância é vidrado naquela camisa de listras que os pescadores franceses usam. Sabe qual é, né? La Marinière, como eu aprendi no curso de francês.
Para mim foi a descoberta da pólvora várias vezes numa aula só. Descobri que é uma roupa que saiu da Bretanha para as ruas, que Gaultier tem vários modelos de diferentes materiais no armário e que as listras, antes de serem estilo, tinham uma utilidade básica: ajudar na sinalização dos homens no barco.
É por essas e outras que comparar curso de inglês e de francês é como colocar lado a lado a melhor lanchonete fast food e qualquer café de Paris. Uma maldade.

30 setembro 2006

Isto não é uma reclamação

Esse Festival do Rio é um problema.
Há dias estou encarando, em média, duas sessões de cinema por dia e, com isso, perdendo preciosas horas de sono (sério), episódios importantes de séries (nem todas estão em reprise, tá?) e valiosíssimas oportunidades de postar coisinhas aqui.
Então vamos ao que interessa: finalmente vi "O Diabo Veste Prada".
E nem precisava ter começado a ler o livro para achar o filme ideal para a Sessão da Tarde.
Primeiro que a história da recém-formada escravizada por uma editora de moda bitch virou um conto de fadas.
Sem querer parecer metida, já freqüentei semanas de moda o bastante para saber que jornalistas cafonas continuam cafonas. Elas não simplesmente ganham roupas incríveis e viram pessoas cheias de estilo.
E andei pesquisando e descobri que nos EUA também não funciona assim: você chega toda breguinha na redação e de repente um maravilhoso armário se abre e você pode se apossar de roupas que custam o dobro do seu salário.
Depois, não dá para entender como um aspirante a chef de cozinha e uma fotógrafa de arte iniciante podem não entender o esforço que a garota faz para se dar bem no trabalho e impressionar a chefe megera.
Terceiro que nenhum ser humano que trabalhe numa revista de moda vai recusar A oportundade da vida de ir à Semana de Moda de Paris porque a colega (bitch) da mesa ao lado quer mais.
E, finalmente, Miranda beira o insuportável, mas eu tive certeza de que "mataria por aquele emprego". E adoraria viver numa cidade onde pudesse usar sobretudos. Ai ai...
Ah, o livro teve que ser temporariamente encostado. Molière virou prioridade por hora.

26 setembro 2006

Tsc, tsc, tsc

Fiquei aqui falando que tinha que ler "O Diabo Veste Prada" correndo para poder ir ao cinema já no dia da estréia com o dever de casa feito.
Nem um, nem outro.
A metade do livro já não é mais um sonho distante, mas a ida ao cinema parece cada vez mais longe.
Mas o filme tinha que estrear bem na época do Festival do Rio? Tendo que escolher, não há dúvidas: Festival na cabeça.
Foram quatro filmes no fim de semana, um já ganhou status de cult e estou até vendo que vai ser daqueles que pega mal dizer que não gostou, sabe?
Enfim, eu não gostei. Pior: achei chatésimo e pela primeira vez na vida embarquei num sono profundo no cinema.
Já os outros três não podiam ter sido escolhas mais acertadas. "C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor" é a história de uma família que podia ser como a nossa, só que eles moram em Québec, falam francês (o filme só ganhou com isso) e o pai é supermusical.
Mas o melhor é que boa parte do filme se passa nos anos 70 e Zac, o protagonista, mergulhou de cabeça na moda da época. Ai que delícia aquelas calças boca-de-sino e aquelas estampas sensacionais.
"Jonestown - Vida e Morte" foi o documentário que se seguiu. Mas eu não vou ficar falando de moda aqui porque é uma heresia tocar no assunto quando 909 morreram no que se considera o maior suicídio coletivo da história - da seita Templo do Povo, de Jim Jones. Mas foi em 1978, só para você saber.
Agora, bom mesmo foi "Little Miss Sunshine". Um road movie sensacional que, apesar de ter Steve (The Office) Carrell e Toni Collette no elenco, brilha é com Abigail Breslin.
Ela é Olive, uma menina pançudinha que consegue uma vaga num concurso de beleza e acaba fazendo a família toda se amontoar numa Kombi (amarelo-ovo, incrível) e cruzar os Estados Unidos.
Olive não tem a menor pinta de miss, mas tem um estilo que eu vou te contar. Adora sobrepsições e acessórios esportivos e deixa essa 'geração Rebelde' no chinelo.
Vê nessa foto se a menina não é um arraso.

21 setembro 2006

Contagem regressiva

O Festival do Rio está quase começando e, embora eu deva admitir que investi uma grana considerável em um número talvez exagerado de ingressos, não está nesse pacote o filme mais esperado do ano (para mim).

Claro, é de "O Diabo Veste Prada" que eu estou falando e, como uma boa menina, estou fazendo meu dever de casa lendo o livro antes.
Só não sei se vou acabar até sexta, que é minha data-limite para ver a história no cinema.
Mas o fato é que so far so good.
Tudo o que Andy - a protagonista - mais ouve é que ela tem o emprego que milhões de garotas matariam para ter.
Eu devo admitir que talvez me tornasse uma assassina por causa dele. A mocinha é assistente da editora mais poderosa da revista mais poderosa do mundo da moda.
O livro é uma ficção inspirada na experiência real da autora, Lauren Weisberger, que penou um bocado no posto de auxiliar de Anna Wintour, a editora mais poderosa da revista mais poderosa do mundo da moda. Leia-se: Vogue.

Anna Wintour (aí na foto) é tão poderosa quanto assustadora. A ponto de muitos estilistas terem se negado a ceder roupas para o figurino do filme com medo de serem limados para sempre dos poderosos editoriais.
E olha que a direção de figurino não foi feita por uma qualquer, mas por Patricia Field, a figurinista de "Sex and the City", a série preferida dos fashionistas.
Mas o fato é que a vida de Andy não é mesmo fácil e todo o glamour faz com ninguém entenda do que ela reclama. Miranda é mesmo difícil e quer sempre o impossível.
Mas, como diria um amigo fanfarrão, é preciso ter dedos calejados para tocar o piano da vida.

17 setembro 2006

Às compras

A Semana de Moda de Nova York acabou de acabar e já saiu a peça-chave do verão 2007. Pelo menos do verão americano.
Só vai dar vestido. De qualquer comprimento, qualquer forma e qualquer cor. E - felizmente - são os modelos soltinhos que prometem reinar.
Depois de muitas saias rodadas, a moda dá sinais de começar a mudar de rumo.
Na última edição do Fashion Rio eles foram muitos e variadíssimos. Taí a fotinho, com modelos Maria Bonita Extra, Colcci e Permanente para provar.



Vestido é prático e uma mão na roda naqueles dias em que não se sabe o que vestir.
Fora que é a peça mais feminina que existe no guarda-roupa da mulher. Ou você acha que é à toa que só existe vestido de gala?