22 julho 2007

Simpsons cheios de estilo

A Harper's Bazaar de agosto traz um editorial de moda sensacional com a família amarelada de Springfield vestindo criações de grandes estilistas europeus.
Jean-Paul Gaultier, Karl Lagerfeld e a top Linda Evangelista toparam entrar na brincadeira.
Ficou o máximo, pena que não fui eu que descobri...
Clica aqui para ver que vale a pena!

28 junho 2007

Para indie fashion


Estava de bobeira pela internet e achei isso aqui. Nem gosto tanto assim de Meg e Jack Stripe, mas ia adorar ter um pen drive com uma carinha fofa. Os gadgets, com 512 MB de capacidade, são vendidos a 57,50 dólares cada um. Mas quem quiser levar o White Stripes completo para casa paga 99 dólares.

27 junho 2007

Para poucos

Louis Vuitton, Fendi, Hermès, Dolce&Gabbana e outras marcas exibicionistas de luxo que se cuidem. Se antigamente 'o fino' era ter e exibir, a tendência agora é ser. Com classe, claro, e exclusividade, de preferência. É o que diz o artigo que a revista Newsweek publica esta semana, sobre as mudanças na indústria do luxo.
A última moda entre os ricaços que não sabem mais o que comprar é encomendar sua própria biografia. Uma empresa argentina entrevista o biografado, os amigos, faz uma edição caprichada e manda entregar a obra por 100 mil dólares. É só um dos exemplos da personalização do mercado de luxo.
Sabe aquela história de garrafa de champanhe como cortesia em hotel de luxo? É coisa do passado. Chique mesmo é surpreender um cliente com um caprichado buquê de flores na despedida ou a receita de seu prato preferido impressa sem ser pedida. Mais chique ainda é fazer parte do restrito clube de sócios de um hotel, bar ou restaurante, onde se pode ser rico sem culpa, entre iguais.
A mudança vem acontecendo em ritmo frenético porque o mundo nunca teve tantos milionários quanto hoje em dia. Os mais ricos do planeta concentram 33,3 trilhões de dólares, contra 16,6 trilhões na década passada. É uma concentração de renda impressionante e uma vontade de gastar incessante: os negócios de luxo têm crescido 8% ao ano.
Marcas tradicionais - como as grifes do primeiro parágrafo - têm se curvado ao novo consumidor. A Versace, por exemplo, já faz decoração de interiores de jatos particulares. Marcas menores, com a garantia da exclusividade, têm sobressaído. E até já surge uma tendência de se fazer desfiles menores, na casa de grandes clientes, resgatando um hábito da metade do século passado. Nada de celebridades, fotógrafos, superproduções. Só as amigas, um chá e aquelas roupas que apenas elas vão poder comprar.
Em termos práticos, a última moda do verão de Nova York dá um bom exemplo. A bolsa de grife perdeu seus monogramas e agora circula anonimamente pela alta roda. É de grife, mas não grita seu nome. Só quem vai saber a origem é aquela amiga tão rica e bem informada quanto você. Coisa de clubinho, entende?

Balanço

Não sei se meus instintos consumistas estão sob controle ou se as semanas de moda é que mostraram coleções de verão aquém do esperado. Como me conheço bem, aposto na segunda opção. Sendo assim, ficou mais fácil do que eu pensava selecionar os cinco looks preferidos dos desfiles do Fashion Rio e do São Paulo Fashion Week. Não é que os lançamentos tenham sido ruins, veja bem. Mas é que, à distância, eles não me deixaram sonhando com aquelas roupas no meu guarda-roupa. Prova disso é que não foi tão fácil assim selecionar as peças das quais pretendo correr na próxima temporada.


EU QUERO (Rio)

A túnica estampadésima e soltinha da Cantão; o vestido longo, simples e com bolsos (!) da Layana Thomaz; a túnica com pala sem frescura da Juliana Jabour; o longo coloridíssimo da Têca; o vestido rosa romântico da Sommer (de preferência com lenço na cabeça)


EU QUERO (SP)

Os vestidos longos e chiquérrimos da Raia de Goeye e de Fause Haten (viu a estampa de acrobatas?); a blusa com mais uma das estampas lindas da Zigfreda; os babados e bordados do vestido de Isabela Capeto; a viagem do minivestido de barquinhos de Ronaldo Fraga


DEUS ME LIVRE!

De calças, saias, bermudas e afins de cintura alta; de modelos com corte clochard; de sandálias de salto grosso, que dificilmente ficam elegantes; de tops que amarram na frente (o que deu nessa gente?); de uma grife conhecida pelas estampas exclusivas e pelos preços quase extorsivos que 'lança' uma estampa de cereja

03 junho 2007

American 'Fashion' Inventor

A marca de calçados esportivos Reef acaba de lançar nos Estados Unidos dois modelos de verão. O Stash traz uma 'gavetinha' escondida na sola onde se podem guardar chaves e cartão de crédito, perfeito para os homens irem à praia. Já Dram tem uma espécie de cantil, também sob a sola, onde se pode guardar uma boa dose de bebida. Depois um funil que vem com o chinelo ajuda a passar o líquido para um recipiente, hã, mais indicado para o consumo. Ainda assim é meio nojento, não?


Já que o assunto é invenção, aqui vai uma prática: escarpins com saltos dobráveis. Cansado de ver mulheres trocando seus sapatinhos flat por poderosos saltos altos na entrada do escritório, David Hendel resolveu buscar uma solução. A inspiração para a idéia são os transformers, aqueles carrinhos que viram robô (ou o contrário). O modelo com salto de quase 9 centímetros que diminui a menos da metade já está à venda por 280 dólares. Quem testou aponta dois poréns: o fato de um único design não possibilitar muita versatilidade e a sensação de que o salto dobrado pode se abrir a qualquer momento.

A valiosa Hepburn


Depois do vestido preto de Givenchy leiloado por mais de 926 mil dólares em dezembro, a elegância da Holly Golightly de "Bonequinha de Luxo" dá outra prova de que vale muito. Nesta semana a casa de leilões Christie's bateu o martelo por 192 mil dólares num vestidinho rosa usado por Audrey Hepburn no filme. O modelo, que não é grifado, aparece na cena em que Holly descobre a morte de seu irmão. A peça, que você na foto aqui do lado, estava avaliada em 30 mil dólares.

23 maio 2007

O horror! O horror!

O que aconteceu com aqueles enormes - e chiquérrimos - óculos escuros setentistas que as celebridades usavam no verão passado?
Alguém me explica (por favor) por que Jude Law, Kirsten Dunst e Lindsay Lohan têm desfilado por aí usando esse Ray Ban horroroso que conseguiu sobreviver ao furacão que deveria ter acabado com nossas memórias dos anos 80?
Pior do que isso é saber que pessoas assim têm o poder de lançar tendências e daqui a pouco todo mundo vai estar achando lindo esse pavor.
Como aqui no Brasil, onde de repente passou a ser bacana sair à noite de legging e usar bota tipo Peter Pan.
Ai, que medo!


Alvo da moda

Superpoderosa
editora da superpoderosa Vogue América, Anna Wintour consegue o que ninguém consegue. Não é que recentemente descobriram um psicopata com um plano para matar a criatura?
Fã de Andrew Cunanan, o assassino do estilista Gianni Versace, Peter Braunstein (que já foi crítico de moda Women’s Wear Daily), cansou de não ser atendido pela editora-diva e achou que era hora de tomar uma atitude.
“Ela vai ser acompanhada por eunucos para um lugar no inferno governado por ratos”, escreveu ele, num manifesto encontrado pela polícia americana. E ainda diz que lá ela vai ter que abrir mão de sua marca registrada – os casacos de pele – para usar só “roupas tropicais”.
Agora confessa que se não fosse sério você estaria às gargalhadas.

09 maio 2007

Faixa dupla, você ainda vai usar uma

Eu não estou falando isso só porque vi Sandra Bullock desfilando assim numa noite de festa, mas está vendendo um bocado na primavera européia e, sinal maior, os chineses já estão invadindo o mercado (de lá) com aqueles modelos que a gente vai comprar (aqui) nos comércios populares. E vocês sabem, quando começa a produção em massa...


RIP, Isabella Blow

Este blog faz um minuto de silêncio pela morte de Isabella Blow, uma das figuras mais irreverentes da moda internacional. Editora de moda da revista inglesa Tatler, ex-assistente de Anna Wintour, mas conhecida mesmo pelos figurinos pra lá de excêntricos que exibia por aí. Pretinho básico, definitivamente, não era com ela e a gente tem uma boa pista de seu estilo quando destaca dois estilistas 'descobertos' por ela: os não menos irreverentes Alexander McQueen e John Galliano.
Nos últimos tempos, dizem alguns, Blow tinha passado por sucessivas tentativas de suicídio. Uma delas ganhou até ares folclóricos. Foi em 2005, quando a fashionista pulou de uma ponte em Londres. Depois de quebrar os pés, ela ficou impossibilitada de usar seus 280 pares de sapatos de salto alto, então recebeu uma enxurrada de sapatos sem saltos de designers como Manolo Blahnik (aquele que as moças de "Sex and the City" adoravam) e Christian Laboutin.
Blow morreu na última segunda-feira, aos 48 anos, de causas não divulgadas.

07 maio 2007

Enfim, de volta

Depois de um longo período de hibernação, este blog volta à atividade vindo de um giro internacional (ai que besta) para acompanhar as tendências e constatar, com grande tristeza, que é impossível manter a classe no clima do Rio de Janeiro (e da maior parte do país). Felizmente maio está aí e - Insha'Allah! - vai fazer as temperaturas caírem aos 20° C à noite para a gente tirar os casacos do armário. Menos que isso, é difícil acontecer.

Já na Espanha e na França, como a primavera não se impõe, ainda se usam casacos dos mais pesados, meias-calças e botas. E que botas, todas cobrindo as pernas dos jeans skinny que as espanholas exibem com a elegância de quem não tem curvas brasileiras.

A boa notícia para quem estava esperando uma tendência que lhe coubesse é que as calças justinhas vão ser em breve aposentadas para o retorno (u-hu!) dos modelos de pernas largonas, tipo pata-de-elefante.Mas isso é assunto para outro post.

Por hora, segue um top 5 do que se vai usar no Hemisfério Norte nesta temporada que esta só começando:

1) Microvestidos em linha A. De preferência com gola arredondada e bolsinhos, completamente anos 60

2) Maxióculos (olha os anos 60 aí de novo!)

3) Bolas, muitas bolas. Dos pontinhos às bolotas elas tomaram de assalto as sapatilhas que dominaram as prateleiras das sapatarias

4) Malhas ultracoloridas, dignas dos anos 80 (ai, que medo)

5) Creme redutor de medidas. Roc e Vichy lançaram os seus recentemente e a publicidade está ostensiva (e tentadora)


A vingança dos nerds


Parafraseando o hábito americano de dividir as pessoas em dog person ou cat person de acordo com a afinidade com os bichos, vou criar duas novas categorias: lens person e glasses person.

É na segunda em que me encontro, apesar de ter aderido às lentes de contato recentemente (sabe como é, os óculos escuros não têm grau...). Como boa pessoa-óculos, não contive a animação quando vi que no próximo outono todo mundo deve colocar seus óculos para fora sem medo.

Miu Miu, Hermès e até a supersexy La Perla são algumas das grifes que sugerem as lentes (não de contato) como acessório de estilo. E é para usar sem pudor, até em modelos que nos tempos de escola renderiam os piores apelidos. Dá uma conferida nas fotos (a partir da esquerda, Hermès, La Perla, Tommy Hilfiger, Lacoste e Miu Miu).

Para acabar

Viram que a última moda é preto e vermelho? (só pra descontrair...)

18 janeiro 2007

Só um P.S.

O Fashion Rio vem num balanço ao fim do evento, tá? Não esqueci não...

Luxúria fina


Depois dessa ninguém pode negar que a inveja corre solta nos bastidores do mundinho. A revista W deste mês traz um ensaio ousadíssimo de Stefano Gabbana (de sunga e salto agulha na foto) e Domenico Dolce em suas páginas. São 20 fotos dos meninos mais ou menos vestidos cercados por modelos menos vestidos ainda.
Algumas da fotos você confere aqui e pode ir fundo porque elas estão um arraso - não seria diferente com Dolce & Gabbana, né?
Mas a graça disso tudo está na história por trás das fotos. Segundo a respeitada (se isso é possível) coluna de fofocas Page Six, do New York Post, os estilistas fizeram beicinho e bateram pezinho quando viram Tom Ford num 'luxurioso' ensaio na mesma revista em novembro de 2005.
"Eles ficaram furiosos e desde então vêm pressionado a W para fazer algo parecido", conta uma fonte de dentro da revista. Editor da publicação, Patrick McCarthy despista: "Há mais de dois anos falamos com Dolce & Gabbana para fazer algo assim".

Deu branco

A maior graça de uma noite de premiação é o tapete vermelho. Você pode até querer saber se tal ator vai levar mesmo o merecido troféu, se determinado filme vai confirmar o favoritismo e tudo mais, mas nada é tão interessante quanto a chegada das celebridades. E, claro, a 'culpa' é toda dos vestidos.
Por isso eu fiquei chocada este ano quando constatei que em pleno inverno americano as estrelas investiram pesado no branco para a entrega do Globo de Ouro. Eram tantas que deve ter tido marido abordando a mulher errada depois de algumas taças de Moët Chandon.
Decotes profundos, saias abertas, modelos justos, outros ousados, tinha branco para todos os lados (sim, são todos brancos nestas fotos, apesar das variações de luz). Fosse no Brasil alguém podia achar que foi parar por engano num Réveillon fora de época.
E ainda tem gente que não acredita em inconsciente coletivo.
(Nas fotos do alto você vê: Keisha Whitaker, Heidi Klum, Salma Hayek, Ellen Pompeo, Drew Barrymore e Annette Benning. Nas de baixo estão: Nicollette Sheridan, Kate Winslet, Jennifer Garner, Ali Larter, Rinko Kikuchi e Cameron Diaz)

04 janeiro 2007

Tão ano passado...

Eu sei que perdi o bonde dos desejos de Ano Novo. Mas é que eu quero tanto que isso se realize, mas tanto, que peço desculpas mas esse pedido vai mesmo tarde.
Que em 2007 a praga da viscolycra tenha sido dizimada das lojas femininas.
Foi difícil fugir dela nas roupas de Natal e Réveillon.
Pronto, desabafei!

Moda e tecnologia

Um amigo achou esse site. Mistura moda e tecnologia. Adoro a primeira e só não posso dizer que detesto a segunda porque, bom, isso seria meio incoerente para quem tem um blog e trabalha num site, né?

Mas é que esse negócio de tecnologia às vezes me cansa. A moda não, alguns criadores de moda, sim. Ou seriam inventores?

Vixe, ficou confuso demais esse negócio. Deixa eu explicar.

Tem lá o site que meu amigo achou, o tal sobre moda e tecnologia. Aí na primeira vez que acessei, o destaque era uma echarpe feita em tecido com memória. Afetiva.

Nada a ver com aqueles panos que amassam e não voltam para o lugar que muito estilista adora dizer que é tecido com memória.

A tal echarpe tem uns sensores através dos quais você escolhe o tipo de carinho que quer receber. São três opções e a que ficou na minha cabeça foi a do tapinha nas costas.

Diz se não é o cúmulo da carência precisar de uma echarpe que te dê um tapinha nas costas? Senta num balcão de bar e paga uma bebida para a criatura do seu lado que você pode conseguir até mais que isso, ora bolas.

Antes de escrever este post, novo acesso ao site. Desta vez o destaque é uma nova criação dos alunos da escola de design inglesa Goldsmith College.

Eles inventaram uma bota que traz na parte interna do cano um desenho. Você usa a bota e, quando tira, está lá a imagem estampada como tatuagem temporária na perna.

Cada par vem com vários desenhos e cada um simboliza algo diferente. A borboleta siginifica amadurecimento; a pomba, um recomeço; e a cereja, a perda da virgindade. Mas serve também como um sinal de que se está aberto ao sexo. Senão, imagina, a estampa da frutinha ia encalhar na loja, né?

02 dezembro 2006

Surpreendente África

Penso muito na contradição que há no consumo de luxo em um país como o Brasil, então você há de imaginar o choque quando me deparei esta semana com uma história no Los Angeles Times sobre um congolês que vive com os pais, não paga pensão para o filho e torra todo dinheiro que ganha em roupas de grife.
Grife mesmo: Dolce & Gabbana, Gucci, Versace. Só peças que lhe custam mais de um mês de salário. E deve fazer isso há bastante tempo porque já conseguiu reunir o suficiente para nunca repetir uma roupa no período de 30 dias.
Papy Mosengo, o congolês, chama atenção por onde passa. Mora num barraco numa região que sofre com o crime, ganha 120 dólares por mês e revolta os amigos ao gastar 400 dólares, em média, em compras. "Dava para construir uma casa com esse dinheiro", diz seu fornecedor.
Mosengo não está nem aí e justifica suas atitudes com uma frase que me fez pensar: "Eu me sinto especial assim".
Afinal, não é isso que a gente quer, se sentir especial? Ouvir um elogio, causar uma boa impressão, marcar presença? A atitude de Mosengo soa como afronta, mas não é muito diferente da de muitos que se comprometem mais do que deveriam para impressionar com a embalagem, em vez do conteúdo.

22 novembro 2006

Coletes, casacos e liquidações

Não tem muito tempo vi num site gringo que os coletes estão voltando com tudo. Claro, para provar sua tese a página mostrava váááárias celebridades (de estirpe, nada no nível de Paris Hilton) investindo no modelito. Aí na segunda-feira vi "Os Infiltrados" a psicóloga da polícia me aparece de colete e eu fiquei pensando sobre ele. Pensei, pensei e cheguei à conclusão de que colete não dá. Tem coisa mais yuppie anos 80/90 do que colete? Mais curtinho, mais compridinho, aberto, fechado, acinturado, com terninho, com jeans. Não tem jeito: colete me remete à terrível lembrança de Diane Keaton em "Presente de Grego". Sabe qual é? Aquele filme em que ela é uma superexecutiva atarefada que recebe de herança um bebê? Então. O filme é triste. O figurino, pior ainda.

Aqui o verão ainda está só se insinuando (eu só acredito nele depois de encarar uma semana inteirinha de sol inclemente e calor idem com, no máximo, aqueles temporais no fim do dia). Mas nos EUA o inverno tá pertinho. O suficiente para terem começado as liquidações de verão e as revistas e jornais começarem a sugerir suas tendências para a estação fria. Então eu não resisti ao especial do New York Post que traz até sugestão de luvas. Nem todos são lindos, mas eu ando numa boa vontade tão grande com sobretudos e afins que fiquei babando e (de novo) sonhando em ser a assistente de Miranda Priestley em "O Diabo Veste Prada". Desculpem a obsessão.

Ah, e já que falei em liquidação, peço licença para uma confissão: morro de inveja dos saldões de terras estrangeiras. Se em Paris, onde cobram em euros, eles já são tentadores, imagine em Nova York. Só para você ter uma idéia e compartilhar desse sentimento feio que se apossou do meu coraçãozinho, tem casaco Dior por US$ 55; sapatos Miu Miu por R$ 40; suéter comprido Chloe por US$ 70, e até vestido de festa Valentino por US$ 650. Não que eu me interesse por Valentino ou tenha tanto para investir em tão 'pouco', mas as peças custavam US$ 5 mil. Calculou o desconto?

10 novembro 2006

Tanta coisa para dizer...

...tão pouco tempo para escrever.
Sei que estou devendo e vou tentar me redimir em pílulas porque alguns assuntos já nem estão mais no spotlight mas eu quero falar sobre eles mesmo assim. Subtítulos vão guiando quem quiser poupar tempo pulando assunto velho (eu entendo).

Roupa repetida

Uma das notícias mais badaladas hoje no site Ego era a estranha coincidência de roupa entre Juliana Paes, Carolina Dickmann, Cléo Pires e Ingrid Guimarães. As quatro foram flagradas em eventos recentes vestindo a mesma roupa (olha a foto aí). Ou uma variação dela: um macaquinho (ou vestido) da Maria Bonita fofíssimo de estampa xadrez rosa.
Excelente escolha de todas (ou de seus stylists, vai saber), mas não é possível que elas não tenham ficado incomodadas de descobrir que agora em todo lugar que forem correm o risco de encontrar uma coleguinha com a roupa igualzinha.
E aí também fiquei imaginando se é tão difícil assim uma grife como a Maria Bonita ter algum tipo de controle sobre as peças que consomem suas clientes famosas. Ele já fazem isso com pessoas comuns que compram roupas para ocasiões especiais...
Mas, sei lá, pelo menos informar que 60% do Projac já comprou a mesma peça poderia ser útil, não? Aí, se a moça insistir, bem, cada um com seus problemas. Até porque, para mim, a marca só perde com isso.
Eu, na situação delas, enfiava o macaquinho (ou vestido) no armário e não usava nem para visitar meus pais no interior. Vai que alguém lá resolveu desembolsar R$ 500 nele também...

Lembrança de viagem

Tem gente que traz chaveiro, tem gente que traz cinzeiro, ímã de geladeira, porta-copos, boné, camiserta. Num dos meus grupos de amigas é proibido (olha o exagero!) trazer quinquilharia. Por um acaso do destino muitas estão acumulando milhas em viagens incríveis e trazendo presentes mais incríveis ainda. E eu não vou listar aqui para não estimular a cobiça alheia.
Mas eu preciso dividir a melhor lembrança de viagem que já ganhei na vida: a edição especial primavera-verão da Elle italiana.
A amiga disse que comprou para ela, mas achou que eu ia aproveitar mais. Sério, quase chorei de emoção. Por ela ter pensado em mim e no quanto eu gosto desse negócio, pelo discursinho que ela fez antes de me dar o presente e porque eu estou babando em 800 páginas de editoriais e anúncios que, ai ai... (e, não me levem a mal, mas até para anunciar os franceses dão um banho)
Prometo olhar tudo com cuidado, deixar a emoção de lado e fazer um balanção das tendências aqui. Em breve (mesmo).

O Diabo Veste Prada

Tá bem, tá bom, esse assunto tá quase vintage de tão velho. Mas é que eu tomei um superpuxão de orelha por ter ignorado o pedido da minha única leitora desconhecida (porque, pelo menos por enquanto, isso é um blog entre amigos, eu sei). Então aí vão algumas considerações sobre o filme.
A maquiagem é absurdamente maniqueísta. As bitchs Emily e Miranda em seus piores momentos parecem ter saídas de um filme de Harry Potter. E chega a ser ofensiva a forma como o look de Miranda vai suavizando conforme ela vai se deixando encantar por Andy.
Isso sem falar no disparate que são os amigos de Andy. O namorado quer ser chef de cozinha, a melhor amiga é aspirante a fotógrafa de arte e os dois tacam pedra o quanto podem na pobre da Andy como se ela fosse uma Geni.
Como eles não soubessem a ralação que é chegar a algum lugar num mercado de trabalho glamouroso sem se ter contatos quentes.

19 outubro 2006

True Colors

Tem gente que gosta de escritores, tem gente que gosta de pintores, tem gente que gosta de diretores. Eu gosto de criadores (de moda). E Coco Chanel é a melhor deles. Porque se a mulher se libertou dos corselets, é a ela que se deve agradecer. Se existe uma moda que permite estar bonita, elegante e viver, a culpa é toda dela. E se há um corte de cabelo clássico que funciona em qualquer época, bom, nesse caso, o responsável foi o fulano que deu um pé na bunda dela.
O fato é que estava aqui fazendo uma pesquisinha para minha exposé de sábado no francês quando achei a seguinte frase creditada a Chanel: "A roupa deve ser, antes de tudo, cômoda e prática. É a roupa que deve adaptar-se ao corpo e não o corpo que deve deformar-se para adaptar-se à roupa".
Confesso que não confio plenamente que a frase seja dela (ainda mais tendo encontrado na internet), mas o argumento é coerente com as idéias que ela costurou.
E foi engraçado ter lido isso no mesmo dia em que achei um vídeo no Youtube do comercial americano de uma marca mundial de cosméticos que anda fazendo campanha pela real beleza.
Nele, a gente acompanha todas as transformações por que passa uma modelo no trajeto entre o estúdio e um outdoor. Não chega a ser surpreendente, mas tranqüiliza um bocado ter certeza absoluta de que NENHUMA mulher no mundo tem o cabelo desembaraçado, brilhoso e esvoaçante naturalmente.
Como na internet uma coisa leva à outra, encontrei um outro comercial da mesma empresa. Dessa vez eram várias menininhas, lindinhas. Quando aparecia a japonesinha lia-se a frase 'queria ser loura'; ao lado da ruiva, 'odeia suas sardas'; se a menina usava óculos, 'se acha feia'. E por aí vai... Como trilha, "True Colors", da Cindy Lauper.
Achei fofo. E lembrei de todas as vezes na escola em que a gente fica querendo 'trocar' de cabelo, de olho, de altura, de peito, de qualquer coisa que pareça mais bonito amiga que na gente.
Então, sei lá porque, quando vi esta noite na TV o desfile da Raya de Goeye no São Paulo Fashion Week, repensei tudo isso.
As meninas da marca são ótimas criadoras, a coleção estava linda como todas as que já vi. Elas adoram volumes, comprimentos curtos, decotes e tecidos fluidos e fazem tudo funcionar. Mas sempre que vejo suas roupas, fico com a impressão de que elas só pensam nas magras.
Está certo que cada um veste quem quer, mas aí não faz muito sentido as semanas de moda tentarem abolir as anoréxicas, né?
Ah, o link para o vídeo de True Colors está lá no título do post. Já o da transformação da modelo, eu coloquei aqui.

10 outubro 2006

Gente fina


Um amigo vai lançar um livro e, segundo a namorada dele, está que não se agüenta de ansiedade. Eu também estaria. Afinal é preciso ter coragem para se exibir para os outros de maneira tão intensa. E não estou falando do exibir do narcisista, mas do exibir de quem quer compartilhar.
E nem estou achando que eu, pobre jornalista, tenho essa coragem. Eu não crio realidades paralelas, personagens, situações. Eu escrevo sobre o que está aí fora.
Já esse amigo não. Escreve sobre o que está lá dentro. E, dizem, faz isso muito bem.
Só vou poder opinar depois da noite de amanhã, quando ele lança o livro. Mas já tenho uma profunda simpatia pela idéia. Não só porque é meu amigo. Mas porque tem 20 e poucos anos e ficou com o sonho guardado na gaveta esperando a hora de ganhar o mundo.
Talvez tenha esperado mais do que gostaria, mais do que merecia. Mas fez isso sozinho e merece um abraço apertado só por causa disso.
Ronaldo Pelli, o meu amigo, não é de nenhuma dessas galeras que legisla e distribui a cultura em causa própria no Rio de Janeiro.
Acho que vou adorar esse livro.

A Primeira Pessoa
Ronaldo Pelli
Dia 10 de outubro, às 20h30
Mistura Carioca
Rua Gomes Freire 791, Lapa

Algum tempo depois...


Jean Paul Gaultier fez 30 anos de moda e celebrou na Semana de Moda de Paris, com o lançamento de uma coleção primavera-verão que provou mais uma vez porque, ao lado de Vivienne Westwood, sempre foi considerado um enfant terrible.
Gaultier é da geração do punk e não nega. Couros, tachas, plastificados e moicanos estavam lá. Na lembrança de suas criações mais marcantes também está o jogo de opostos: oversize e silhuetas ajustadas; preto e branco; esportivo e social.
Mas para a próxima temporada foram os longos em referências inusitadas que se destacaram na passarela. Jeans, camuflado e o inconfundível estilo marinheiro.
Tudo isso para dizer que esta semana finalmente eu entendi porque os primeiros frascos de perfume de Gaultier eram listrados.
Porque o estilista desde a infância é vidrado naquela camisa de listras que os pescadores franceses usam. Sabe qual é, né? La Marinière, como eu aprendi no curso de francês.
Para mim foi a descoberta da pólvora várias vezes numa aula só. Descobri que é uma roupa que saiu da Bretanha para as ruas, que Gaultier tem vários modelos de diferentes materiais no armário e que as listras, antes de serem estilo, tinham uma utilidade básica: ajudar na sinalização dos homens no barco.
É por essas e outras que comparar curso de inglês e de francês é como colocar lado a lado a melhor lanchonete fast food e qualquer café de Paris. Uma maldade.